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HitdaBreakz

3/09/2005

SEJA FUNK A VOSSA VONTADE (PARTE II DE II)


(continuação da parte I)

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Voltando à questão abordada ontem, temos que realçar o papel do muitas vezes esquecido Arhtur Baker. Mas não é só esquecido pelo hiphop, é-o também noutros géneros. Senão vejamos. Arthur Baker foi pivotal para a afirmação do som electro no panorama do hiphop. Mas, numa altura em que a associação entre o rock e a electrónica surge como motora de um protoconceito de música de dança, convém referir que esta associação, muitas vezes omitindo nas suas playlists e nas suas referências o hiphop, deve a Arthur Baker um dos seus maiores hinos. É em Arthur Baker, também, que se deve pensar quando pensamos no Blue Monday dos New Order.

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Daqui, toda uma nova maneira de fazer música estava aberta ao hiphop e o hiphop deu conta do recado. Com esta linguagem, nomes como Man Parrish, Egyptian Lover, Pretty Tony, a World Klass Wreckin Kru (com um ainda desconhecido Dr. Dre), Davy DMX, a Jonzun Crew, Newcleus ou Mantronix são a resposta que o género deu à pergunta "o que é que conseguem fazer com isto?". Resposta essa que aproveitou ainda a subgéneros como o miami bass dos 2 Live Crew ou do MC A.D.E. ou a géneros ligados ao hiphop mas a trilharem caminhos independentes dele como o techno de Detroit (com o Clear do technopioneiro Juan Atkins, enquanto Cybotron, como a ligação mais óbvia entre um e outro).

Em Inglaterra, foram os djs (principalmente Greg Wilson), como em tantas outras situações análogas, os responsáveis pela divulgação dos sons electro+funk. A importância destes novos sons electrofunk são fundamentais para toda a explosão da música de dança verificada anos depois em Inglaterra, não só porque estabelecem em quem os ouve o padrão dos sons electrónicos mas também porque permite, com os beats a saírem sequenciados em drum machines e, por isso, sempre certinhos, que os djs possam, finalmente, acertar batidas de uma forma mais fácil (algo que o disco tocado por bateristas nunca permitiu na totalidade) e encaixar as músicas. E isto é algo que hoje tomamos por garantido mas que, na altura, era uma verdadeira revolução na arte do djing. Não só mas também por isso, o electrofunk foi uma lufada de ar fresco no Reino Unido e a sua influência tem de ser percebida e explicada em qualquer definição de música pop inglesa. Nem é preciso ir muito longe, basta perceber isso nas produções do Trevor Horn, sejam eles os World Famous Supreme Team do Malcolm McLaren ou os Frankie Goes to Hollywood.

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Ao ouvir, no In tune and on time, a parte dos Mother Mallard's Portable Masterpiece Company, que o DJ Shadow usou para a apoteose final do Stem, dei-me conta de que o funk, em todas as mil caras que tem, é capaz de surgir dos sítios mais inesperados. E samplar o primeiro ensemble de sintetizadores de sempre - como o é a MMPMC - parece-me, também, a maneira singular que DJ Shadow, não só como digger mas também como, por exemplo, amante que é do miami bass, de dizer que, concordando com Bambaataa, há funk em tudo isto que parece tão diferente. Não sei se o David Borden, mentor da MMPMC e seguidor de Terry Riley, John Cage ou Phillip Glass, foi alguma vez capaz de perceber funk nas suas obras. O que sei é que foi preciso o hiphop para que toda a gente o percebesse.