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HitdaBreakz

9/20/2006

Mr_Mute - Deubreka na Back2Skool Street Party


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Mr_Mute é um dos DJ's que já garantiu presença na Back2Skool Street Party que no próximo dia 30, pelas 17 horas, tomará conta de parte da rua Oliveira ao Carmo, mesmo em frente à loja de discos Skool e ao restaurante Paladar. Pretexto perfeito para que o Hit Da Breakz atirasse algumas perguntas na direcção de Mr_Mute e aguardasse para ver o que dali saía. O que, conhecendo o seu projecto Deubreka, só podia ser coisa boa.
Quando é que te começaste a interessar por música?
Desde que tenho memória. Raras são as memórias de silêncio lá em casa. Sempre foi um elemento que me acompanhou.
Quais são as tuas memórias mais antigas?
Estar em casa a ouvir coisas estranhas, que às vezes assustavam, uns Procol Harum, um Ravi Shankar, um maravilhoso Piazzola – tudo em constante confronto com o que se ouvia na escolinha, entre o "a minha sogra é um boi" e lambadas e mini-stars.
Havia discos na tua família?
Felizmente sim, muitos. Tanto a minha mãe como o meu pai são compradores acérrimos de musica.
Ainda te lembras do primeiro disco que compraste?
Lembro. foi o II dos Led Zeppelin
Quando é que a tua actual actual postura e gosto musical se começou a definir?
Não sei se sei responder de uma forma coerente. O gosto musical é mutável. Sempre. Desde os Simon and Garfunkel ao Abdullah Ibrahim, passando por Reggianni e algumas coisas bonitinhas como Pepino de Capri (ah os crooners da mamã) – estava sempre a ouvir uma míriade de coisas em casa. Comecei talvez a ter vontade de pôr play em coisas como Rolling Stones e Beatles, Led Zepp e Santana: o rock sempre me acompanhou - passando por Slayer e Pantera, Sepultura e afins até aos King Crimson e Jimi. Tive uma banda de hardcore no percurso de juventude e só a partir daí é que comecei a descobrir o funk e o hip hop. O jazz esteve sempre presente através do meu pai e das suas colecções Sassetti
E quando é que a paixão por música se transformou em paixão por DJing?
As minhas primeiras experiências de manipulação sonora deram-se com o meu primo. Foi ele quem me apresentou à possibilidade de usar uma banda de cassete de uma forma não convencional. Mas djing propriamente dito foi com uma cru de irmãos - il cru fantastico http://www.ilcru.blogspot.com/. Foi aqui que realmente tive a percepção do poder da música num grupo de ouvintes dispersos. E a minha paixão brotou daí, com festas que fizémos, com inesquecíveis sessões de descoberta e partilha de musica... foi o que me levou a comprar os meus primeiros pratos.
Fala-nos da génese do teu projecto Deubreka.
Os Deubreka surgiram por verdadeira amizade. Foi a necessidade de duas pessoas partilharem that which makes them tick. Eu e o Zekan começámos a partilhar casa na bela Mouraria. Com o meu material sonoro montado ao lado da parafernália de imagem do Zekan, creio que veio naturalmente. Eu quando sinto que estou a aprender, a percorrer um caminho de que preciso, tenho uma necessidade muito grande de o partilhar e de o confrontar com outras perspectivas. Esta para mim é a génese dos Deubreka.
Consideras-te um coleccionador? O que é que achas que define um coleccionador? E um digger?
Para além de guedas quando era puto e algumas revistas porno, não me considero um coleccionador. Vejo-me mais como um captador. Meticulosidade e método definem um coleccionador, pelo menos para mim. E eu sou desorganizado. Tenho uma grande paixão por aprofundar o trabalho de quem gosto, sem dúvida, mas não tento fazer uma procura do percurso da carreira do artista de uma forma cronológica, por exemplo. Vejo-me mais como digger no sentido do arqueológo, como diz o Shadow. Estou constantemente à procura de novos estímulos e isso passa em grande maioria por ouvir obras que desconheço, procurar descobrir aprender e empreender.
Quais são os teus heróis/referências no mundo do DJing?
Shadow, Krush, Steinsky, Premier, Cut Chemist, Flash, Ricci Rucker, Invisibl Skratch Piklz,
E no mundo da música em geral?
Ui. John Zorn e alguma parte dos seus afiliados, Coltrane, grande Coltrane, Bach, Piazzola, Shadow, Mahler, Esbjorn Svensson Trio, Ali Farka Toure, Tool, Rabi Abou-Khalil, Abdullah Ibrahim, Shuggie Otis, James Brown, Carlos Paredes, Pharcyde, Miles Davis, Led Zeppelin, Ahmad Jamal e Monk, incontornáveis Beastie Boys, Ernest Ranglin, Bobby McFerrin... Que pergunta mais injusta. Vou sempre esquecer-me de tantos.
Onde compras discos normalmente?
Na Supafly, na VGM, na Trem Azul, em feiras...
Já deste alguma pequena fortuna por um disco?
Já. Versão original do Prison Songs do Alan Lomax e por um do Shadow.
Qual o próximo passo no teu percurso como DJ? Produção? Campeonato mundial de DJing?
Campeonato mundial de DJing não. Gosto de tentar sentir-me confortável com o scratch – embora ainda não tenha conseguido – mas acho que é uma arte fechada em si mesma. Estou muito mais virado para a produção, onde o scratch, naturalmente poderá ter a sua parte. Agrada-me o que o Ricci Rucker tem feito e é bom ter malta como o Ride que tenta um percurso semelhante na exploração do prato como objecto. Aliás, agora a missão é precisamente produzir an album's worth of material. Por e para mim antes de tudo. E vai ser bom.