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HitdaBreakz

1/23/2005

AINDA O SKULL SNAPS


Este Break da SemanaTM foi especial para mim. Não foi só porque tenha sido referido pelo Soulman numa entrevista dada ao nosso blog. Foi-no, principalmente, porque me levou de volta aos tempos em que iniciei este meu interesse longe do saudável por pedaços de bateria enquadrados em música. E isto porque o Skull Snaps foi dos primeiros breaks que aprendi e que aprendi como inacessível, quando começei nesta cruzada à procura de breaks. E, com isso, o break ganhou uma aura de holy grail, de coisa inatingível que (ainda) se mantém, já que o disco que tenho do Skull Snaps é uma reedição e o original longe de ser coisa comum em Portugal.

Onde quer que fosse, seja com quem for que falasse, o Skull Snaps era sempre referido e a sua importância sempre enaltecida. Nas conversas que mantive, naquela altura, com pesssoas instruídas em breaks, na tentativa de aprender com eles, era unânime o break e frases como "o Skull Snaps é que é", "ah, o Skull Snaps!", "não tens o Skull Snaps? não te preocupes, quase ninguém tem" eram bastante comuns.

E era verdade. Era daqueles breaks que toda a gente do topo usava. Como era um disco raro (alguém faz a menor ideia do que é a editora GSF?), não aparecia muitas vezes. Tanto assim que o próprio Soulman (que é o Soulman), como ele próprio refere na entrevista, nunca viu uma cópia nas lojas de 2a mão, uma cópia barata entenda-se. Porque o Skull Snaps, nas lojas entendidas na matéria, se estivesse a 100 dólares (sensivelmente 20 contos), desaparecia num instante, porque estava barato. E pedir preços mais elevados não era nada do outro mundo. Lembro-me, quando começei a usar a eBay, de ver cópias a trocarem de mãos por trezentos, quatrocentos dólares.


Foto retirada do site da loja Bside Records.

Hoje, o Skull Snaps é um break que, por ter sido usado por t-o-d-a a gente, exige algum cuidado na sua apresentação. Desde os Pharcyde (que estiveram, coincidência, em concerto em Lisboa) que o usaram no fabuloso "Passin me by" [audio] aos Gang Starr, ao DJ Shadow, Eric B & Rakim, aos Public Enemy ao MF Doom. A lista podia continuar mas bastam estes nomes para perceber que o Skull Snaps é dos breaks mais abrangentes do hiphop, percorrendo o género todo à direita e à esquerda, servindo a tanta gente que faz coisas tão tão diferentes.

Mas até nem é por causa do hiphop que o break é mais conhecido por toda a gente (o que parece quase paradoxal) . Fora do hiphop, houve imensa gente a usar o break, gente como os Prodigy, que o usaram no "Poison" [audio]; gente como o Rob Dougan, que usou o break no seu hit underground para a Mo'Wax, o Clubbed to Death (faixa que, posteriormente, teve o seu momento de glória e segunda vida por causa do filme Matrix).



Mas, nos últimos anos, ninguém abordou o break com o respeito e reverência como os Jazzanova o fizeram. É que, enquanto outros usaram o break, os Jazzanova homenagearam o break, criando um tema inteiro à volta dele, e, no caminho, demonstrando uma enorme sensibilidade para entender o break e todas as possibilidades que ele oferece, que, como vimos, são imensas. E é engraçado que esta homenagem ao Skull Snaps tenha acontecido por quem está fora do hiphop, confirmando a regra de que "santos da casa não fazem milagres". O tema em apreço é do álbum deles, tema a que chamaram (porque será?) "Another new day", Por esta referência ao break merecer mais tempo para que consigam perceber a excelência do trabalho dos Jazzanova, o exemplo áudio do "Another new day" está dividido em duas partes : parte 1 [audio] e parte 2 [audio].